Villa da Rainha
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A Villa della Regina é uma joia barroca situada nas colinas de Turim, uma residência que testemunha séculos de história e esplendor da dinastia saboiana. Originalmente concebida em 1615 por Ascanio Vitozzi para o cardeal Maurizio di Savoia, a villa foi projetada como uma suntuosa residência de campo cercada por vinhas. Após a morte de Vitozzi, o projeto foi concluído pelos arquitetos Carlo e Amedeo di Castellamonte, que criaram uma residência elegante e majestosa, perfeitamente integrada com a paisagem colinar circundante.
O cardeal Maurizio, um homem de cultura refinada, renunciou à púrpura cardinalícia para viver na villa com sua esposa Ludovica, com quem organizava reuniões acadêmicas no salão conhecido como Accademia dei Solinghi. Esta academia era um local de encontro para intelectuais, cientistas e artistas da época, incluindo Emanuele Tesauro e o futuro papa Inocêncio X, que discutiam sobre literatura, ciência e filosofia.
A villa tornou-se especialmente famosa no século XVIII, quando Anna Maria di Orléans, esposa de Vittorio Amedeo II, a escolheu como sua residência de verão favorita. Filippo Juvarra, um dos arquitetos mais ilustres da época, foi encarregado de renovar a villa, transformando-a em um refinado exemplo de arquitetura barroca. Juvarra cuidou de cada detalhe, desde as decorações internas até os jardins, tornando a villa um local de deleites e entretenimento para a corte saboiana.
A beleza da Villa della Regina também reside em seus jardins italianos, dispostos em três níveis e adornados com estátuas, fontes e uma vasta variedade de plantas. O jardim atrás da villa é uma obra-prima de design paisagístico, com sua esplanada semicircular que envolve uma pequena piscina e leva à Grotta del Re Selvaggio, uma estrutura decorada com espelhos e pedras policromadas. Do belvedere superior, pode-se desfrutar de uma vista deslumbrante de Turim, um panorama que combina natureza e arquitetura em um equilíbrio perfeito.
A história da villa passou por momentos de crise, especialmente durante a ocupação napoleônica e os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, que causaram danos graves às estruturas e aos afrescos internos. Em 1869, Vittorio Emanuele II doou a villa ao Instituto Nacional para as Filhas dos Militares Italianos, transformando-a em um colégio. Durante este período, muitos móveis originais foram transferidos para o Palácio do Quirinal, e a villa perdeu parte de seu esplendor original.
O declínio continuou até a década de 1990, quando a villa foi assumida pela Superintendência de Bens Artísticos e Históricos do Piemonte. Após longos e cuidadosos trabalhos de restauração, que duraram mais de uma década, a villa foi reaberta ao público em 2007. Hoje, a Villa della Regina faz parte do circuito das Residências Saboianas no Piemonte e, desde 1997, está inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Os interiores da villa são ricamente decorados com afrescos e pinturas de artistas como Giovanni Battista Crosato, Giuseppe Dallamano, Claudio Francesco Beaumont, Daniel Seiter e Corrado Giaquinto. Destacam-se os quatro Gabinetes Chineses, decorados com madeira laqueada e dourada, que testemunham o gosto pela exotismo da corte saboiana. Os estuques, obra de Pietro Somazzi, adornam os principais cômodos, adicionando um nível adicional de elegância e refinamento.
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