Pirâmide de Céstio
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Rione XXI - San Saba
A Pirâmide Cestia é um monumento único no panorama arquitetônico de Roma, localizada no bairro de Ostiense, perto da Porta San Paolo. Construída entre 18 e 12 a.C., a pirâmide serve como túmulo para Caio Cestio, um magistrado romano e membro do colégio sacerdotal dos Epulões. Este monumento representa uma fascinante fusão entre a arquitetura romana e o estilo egípcio, resultado da egitomania que se espalhou por Roma após a conquista do Egito por Otaviano Augusto em 31 a.C.
A pirâmide tem cerca de 36 metros de altura e uma base quadrada de quase 30 metros de lado. É construída em concreto e tijolos, revestida com placas de mármore branco de Luni, que lhe conferem um aspecto luminoso e imponente. Uma inscrição na fachada atesta que a construção foi concluída em apenas 330 dias, conforme estipulado no testamento de Cestio. A estrutura é um exemplo de como os romanos adotaram e adaptaram elementos culturais de outras civilizações, neste caso a arquitetura funerária egípcia.
O interior da pirâmide, infelizmente, não é acessível ao público, exceto com permissões especiais, mas suas paredes internas são decoradas com afrescos representando figuras de ninfas e vasos decorativos. No centro da abóbada, há representações de Vitórias aladas segurando coroas e fitas, um tema iconográfico que reflete a importância da vitória e do sucesso na cultura romana.
A Pirâmide Cestia foi posteriormente incorporada às Muralhas Aurelianas entre 271 e 275 d.C., durante a construção das fortificações da cidade ordenadas pelo imperador Aureliano. Essa integração nas muralhas contribuiu para preservar o monumento, que permanece um dos edifícios antigos mais bem preservados de Roma.
Ao longo dos séculos, a pirâmide foi objeto de várias interpretações e lendas. Na Idade Média, acreditava-se que era o túmulo de Remo, o lendário irmão de Rômulo, o fundador de Roma. Somente durante as escavações realizadas no século XVII, sob a direção do Papa Alexandre VII, ficou claro que o monumento era de fato o mausoléu de Caio Cestio, graças às inscrições encontradas no interior.
Um dos aspectos mais interessantes da pirâmide é o seu contexto moderno. Perto da pirâmide está o Cemitério Acattolico di Roma, também conhecido como Cemitério dos Ingleses, onde estão enterrados muitos artistas e poetas, incluindo John Keats e Percy Bysshe Shelley. Este cemitério é um lugar de grande tranquilidade e reflexão, que adiciona mais uma camada de significado histórico e cultural à área.
Outro detalhe fascinante é a presença de uma colônia de gatos de rua que vive ao redor da pirâmide. Esses gatos são protegidos por leis especiais de Roma, e o local se tornou um ponto de referência para amantes de animais, com voluntários cuidando dos felinos e visitantes podendo interagir com eles.
Em 2013, graças à generosa doação de um empresário japonês, Yuzo Yagi, importantes trabalhos de restauração foram iniciados, devolvendo a pirâmide ao seu antigo esplendor. Este projeto de restauração, que durou dois anos, incluiu a limpeza das placas de mármore externas e a restauração dos afrescos internos.
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